Aristides de Sousa Mendes

foi homenageado em Bordeus...

... mas foi em Bordéus que a história prendeu Sousa Mendes nas suas garras. O seu destino passou a estar inelutavelmente ligado ao destino colectivo de dezenas de milhares de pessoas desaparecidas. Assumiu-se como homem certo no lugar e momento certos. Aquilo que muitos poderiam considerar como defeitos de personalidade num diplomata - a natureza demasiado emotiva e o seu carácter impulsivo - tornaram-se força motora de um heroísmo.

Sacrificou tudo quanto amava e presava - uma família, uma carreira - por estranhos de quem se apiedou associando ao seu honroso desempenho a espiritualidade e dignidade humana então raras, mas que, afinal, caracterizam o povo português. Numa altura em que pairava a rebeldia pelo mundo, Sousa Mendes não só era um digno diplomata como também se desenhava como o modelo do português crítico, o representante ideal da nação que todos gostaríamos que Portugal sempre fosse.

As suas atitudes tinham o cheiro do perfume cuja marca a lei portuguesa só viria a reconhecer tardiamente. Ainda assim, aos olhos dos poucos que um dia ouviram falar de Sousa Mendes, a mais viva recordação que resta deste "salvador de vidas" português é a punição desumana que lhe foi atribuida:

Salazar e seus discípulos condenaram-no à "pena de um ano de inactividade" com direito apenas a "metade do vencimento da categoria", tendo sido colocado "na disponibilidade aguardando aposentação", situação da qual só viria a se livrar com a morte, mais de 13 anos depois.

Ainda que nada dissipe o sofrimento de um conjunto de acusações e processos fundados numa ideologia retrógrada e desumana, e a humilhação de uma sentença cheia de vícios, feita a rogo das leis de uma ditadura nacional, nada explica que obra de tão grande valor e prestígio seja comprada a tão barato preço.


1940: Eau forte signée de Ch.Philippe,datée de 1942- Sud.Ouest 16 juin 1990

Quando os Nazis invadiram a França em 1940, Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus, contrariando as ordens de Salazar, assinou vistas para fugitivos. Assim conseguiu salvar milhares de vidas, antes de ser afastado do cargo pelo ditador.

Em 1940, dado o avanço das tropas alemãs de Norte para Sul e de Leste para Oeste, só Portugal era porta de saída segura para um algures a salvo dos desígnios de Hitler. Eis porque, solicitando um visto, acorriam ao consulado português de Bordéus inúmeros refugiados, sobretudo judeus. Mas a 13 de Novembro de 1939 já Salazar proibira, por circular, todo o corpo diplomático português de conceder vistos a várias categorias de pessoas, inclusive a "judeus expulsos dos seus países de origem ou daqueles donde provêm".

Aristides começou por ignorar a circular para, depois de instado a fazê-lo, a desrespeitar totalmente. Passava vistos a quantos lho solicitassem. Quando a 8 de Julho de 1940, já sem mais hipóteses de transgressão, regressou a Portugal. Tinha salvo milhares de vidas, assinando vistos de dia e de noite, até à exaustão física.

Nada na biografia de Aristides, até então, fazia prever este acto. Com 55 anos à data dos acontecimentos, casado e pai de 14 filhos, servia o "salazarismo (fascismo) tal como antes servira a I República. Era de tradiçao monárquica e católico. Foi simplesmente comovido pela aflição de "toda aquela gente" que não "podia deixar de me impressionar vivamente", como ele disse no seu processo de defesa em Agosto de 1940, que agiu.

Regressando a Portugal, Aristides foi dado como culpado no inquérito disciplinar e despromovido. Salazar reformá-lo-ia compulsivamente com uma pensão mínima. Os recursos de Aristides para os tribunais seriam em vão. Sem dinheiro, Aristides era socorrido pelo irmão e pela comunidade judia portuguesa.

Do recheado solar da família, em Cabanas de Viriato (Viseu), tudo ia sendo vendido. Os filhos de Aristides iam-se dispersando, a mulher Angelina, morreu em 1948 , e ele casou novamente mais tarde.

No dia 3 de Abril de 1954, Aristides morre de uma trombose cerebral e de uma pneumonia no Hospital da Ordem Terceira em Lisboa. Embora o epitáfio na sua lápide reconheça os méritos de Aristides com as palavras "Quem salva uma vida, salva o mundo", a sua morte não veria qualquer comentário ou informação na imprensa portuguesa.

  Seria assim ignorado pelo país.

Ter-se-ia de esperar 34 anos para que Aristides fosse justamente reintegrado e louvado oficialmente em Portugal: Em 1988 na Assembleia da República, o Dr. Jaime Gama do Partido Socialista, pediu a reabilitação e reintegração póstuma de Aristides no corpo diplomático, o que foi concedido por unanimidade pelos partidos com assento na altura.

Mas desde 1967, Aristides é o único português que faz parte dos "Righteous Among the Nations" (Justo entre as Naçoes), no Yad Vashem Memorial em Israel.


Aristides de Sousa Mendes foi sucessivamente homenageado no domingo 29 de maio 1994 em Bordeus, e no dia 24 de Março 1995, em Lisboa, Mario Soares entregou-lhe postumamente, a Grande Cruz da Ordem de Cristo, por intermédio do seu filho, João Paulo Abranches.

Entretanto, há também o "Prémio Aristides de Sousa Mendes", atribuido pela Associação dos Diplomatas Portugueses, que distingue anualmente um trabalho de investigação sobre um tema de política internacional com relevância directa para as relações externas portuguesas.

Além disso, tem havido nos últimos anos uma onda de publicações sobre Aristides. Não só de livros, mas também de filmes (por exemplo, o filme documentário de Diana Andringa) e até de bandas desenhadas (p.ex., de Jocelyn Gille,"Bordeaux dans la Tourmente").

Por isso, Aristides de Sousa Mendes é cada vez mais conhecido em Portugal e também no resto do mundo. Ele bem o merece, porque "quem salva uma vida, salva o mundo".

Texto provisorio tirado de Luise Albers e Felix Jarck da Associação Luso-Hanseàtica, e adaptação de Antonio Moncade Sousa Mendes) .

O film "Aristides Sousa Mendes foi apresentado na familia no dia
8 de novembro de 2008 em Pessac - França



O Plano português Os vários capítulos vão dar mais possibilidades de conhecer este Grande Português www.AristidesDeSousaMendes.com/zplan.htm

Mas hoje as Homenagens continuam...
http://sol.sapo.pt/blogs/anahory/archive/2008/11/12/Homenagem-Nacional-a-Aristides-e-Angelina-de-Sousa-Mendes.aspx

No 26 dia de Janeiro 2006 o Parlamento Português recorda Aristides de Sousa Mendes.

A Assembleia da República, em Portugal, associou-se na Quinta-feira passada às comemorações do dia da Memoria do Holocausto, instituido pelas Nações Unidas e que se assinalou pela primeira vez, lembrando que "recordar é importante para prevenir o futuro".

"Recordar é também uma salvaguarda para o futuro", sublinhou o Ministro dos Assuntos Parlamentares. aproveitou a ocasião para lembrar o diplomate português Aristides de Sousa Mendes ( 1885-1954), que salvou a vida a dezenas de milhares de judeus durante a II Guerra Mundial quando era Cônsul de Portugal em Bordéus. "Aristides de Sousa Mendes teve sempre a consciência de que a sua obediência era à humanidade e não a um Estado ditatorial e cúmplice", elogiou Santos Silva. Aliás, o Parlamento aproveitou as comemorações do Dia da Mémoria do Holocausto para acolher uma exposição compilado pelo Instituto Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, inaugurou. Jaime Gama, lembrou que "para prevenir o futuro é preciso saber reconhecera História", sublinhando que, se hoje Portugal é um país livre, sem discriminações religiosas, nem sempre assim foi."Não podemos ignorar na nossa história que expulsámos e perseguimos judeus e só muito mais tarde é que admitimos a liberdade religiosa", frisou. Antes de ser observado um minuto de silêncio em memória das vítimas do Holocausto, foi lidauma declaração do Secretario -geral das Nações Unidas , Kofi Annan, que assinala este Dia da Memoria do Holocausto. Deve ser recordado com vergonha e horror, enquanto a Humanidade conservar a capacidade de recordar", refere Kofi Annan. (Lusojornal. Jan. P.6)

Foi preciso sessenta anos para que justiça seja feita, para que Aristides de Sousa Mendes encontre o seu lugar de heróï na HISTORIA dos povos.

No dia 11 de Maio 2005 e 10 de Novembro no Palácio do UNESCO em PARIS, com a presença dos representantes diplomáticos do

MANTER a sua MEMORIA

Concerto : Música e palavras do mundo

En hommage à

Aristides de Sousa Mendes

Na Quarta feira 11 de Maio de 2005 e 10 de Novembro
às 22 horas e 30 Sala I

Organisado com o patrocínio do Director Geral da UNESCO, pela Delegação de Portugal junto da UNESCO. Com a participação de Jorge Chaminé, bariton, e dos seus amigos de todas as regiões do mundo.

Assisterão à cerimónia a Dra Maria Barroso Soares, presidente da Fundação Sousa Mendes, o Senhor Frans Wolfkamp, director geral de Music in Me, o Senhor Jean Daniel, director do Nouvel Observateur, o Dr. Fernando Nogueira, presidente do BCP, a Senhora Jacqueline Galvez, directora geral do Nouvel Observateur, o Embaixador Duarte Ramalho Ortigão e Jorge Chaminé, barítono, Embaixador da organização Music in ME e impulsionador desta homenagem a Aristides de Sousa Mendes. Recordamos que os dois concertos foram um imenso êxito e que o programa original e cosmopolita foi aclamado pelo crítico e escritor Jean Lacouture :" j'ai été particulièrement heureux que la soirée d'hommage de l'UNESCO soit animée et dominée par un grand artiste portugais, citoyen du monde, Jorge Chaminé, qui, pour mieux saluer son glorieux compatriote, ait réalisé ce soir-là une des plus extraordinaires "performances" dont le vieil amateur de musique que je suis ait été témoin en beaucoup plus d'un demi-siècle… Ainsi celui qui sut braver le nazisme en 1940 était-il honoré par ceux qui tentent, par le moyen de l'art, de revivre aujourd'hui, les conditions de la Paix – et par un grand chanteur de notre temps, qui nous est venu des bords du Douro…"

E na quarta-feira dia 8 de fevereiro 2006, pelas 15.30 no escritório do Director Geral da Unesco Senhor Koichiro Matsuura e em presença do mesmo, serão entregues os cheques dos 2 concertos realizados na Unesco pelo barítono português Jorge Chaminé, em prol da Fundação Aristides de Sousa Mendes e da organização Music in ME (Music in Middle East).

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